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Sudema aposta em força-tarefa para destravar regularização ambiental de imóveis rurais na Paraíba

  • Foto do escritor: João Barros
    João Barros
  • 27 de abr.
  • 2 min de leitura

A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) inicia, nesta quarta e quinta-feira (29 e 30), uma força-tarefa voltada à regularização ambiental de imóveis rurais na Paraíba. A ação, lançada durante a Expo Agro Umbuzeiro 2026, no município de Umbuzeiro, promete aproximar o poder público dos produtores — algo que, na prática, ainda é um dos principais desafios da gestão ambiental no estado.

A iniciativa faz parte de um conjunto de melhorias no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que agora conta com uma metodologia de análise mais ágil, permitindo a avaliação de múltiplos cadastros em bloco. Embora os números iniciais apontem avanço — cerca de 20% dos cadastros já analisados —, é preciso ponderar que a maior dificuldade sempre esteve nos casos mais complexos, justamente aqueles que exigem interação direta com os proprietários.

É nesse ponto que a força-tarefa se mostra estratégica. Ao sair dos escritórios e levar atendimento direto aos produtores, a Sudema reconhece, ainda que tardiamente, que a burocracia e a falta de orientação têm sido entraves históricos à regularização ambiental. A nova etapa busca atender exatamente essas pendências mais simples, mas que, sem suporte técnico, acabam se arrastando por anos.

Durante o evento, equipes técnicas estarão disponíveis para atender desde produtores com cadastro já validado — mas que sequer têm conhecimento disso — até aqueles que ainda não deram entrada no processo. Esse cenário, por si só, evidencia uma falha recorrente na comunicação institucional, que precisa ser aprimorada para garantir que as políticas públicas alcancem, de fato, seu público-alvo.

Outro ponto relevante é a integração com o Programa de Regularização Ambiental (PRA), fundamental para orientar a recuperação de áreas degradadas, como margens de rios e reservas legais. No entanto, mais do que orientar, será necessário acompanhar e fiscalizar, sob pena de a regularização se limitar ao papel, sem impactos concretos no meio ambiente.

Para participar do mutirão, o produtor deve apresentar documentação básica, como RG, CPF, comprovante de residência e documentos da propriedade, além do CCIR, emitido pelo Incra. A exigência, embora necessária, também reforça a importância de simplificar processos para não afastar pequenos produtores, que muitas vezes enfrentam dificuldades no acesso à documentação.

A expectativa da Sudema é atender cerca de 500 propriedades nesta primeira ação, número que, embora relevante, ainda está longe de representar a totalidade das demandas existentes no estado. Ainda assim, a iniciativa pode servir como um importante termômetro para ajustes futuros e eventual expansão para outras regiões.

Ao ampliar sua atuação no interior, a Sudema dá um passo importante rumo à descentralização dos serviços ambientais. Resta saber se a ação terá continuidade e estrutura suficientes para transformar uma demanda histórica em resultados efetivos, promovendo não apenas a regularização, mas também uma verdadeira cultura de sustentabilidade no campo paraibano.

 

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